domingo, 29 de novembro de 2015

livro OUTRORA - Contos Distópicos (conto: Invisível)

Estou disponibilizando o meu conto Invisível que faz parte do livro OUTRORA - contos distópicos da Editora Andross. Esse conto é continuação do meu livro Êxodo - A Saga do Ouro Azul, que apresenta o Brasil sem água no ano de 2065.

Gostaria de pedir um feedback do conto, por isso, deixe suas impressões nos comentários. Faça perguntas e aproveite para participar do sorteio do livro:

https://www.facebook.com/exodoasagadoouroazul/?sk=app_154246121296652&app_data=%7B%22id%22%3A509720%7D

Obrigado, boa aventura!


Invisível

Clóvis M. Fajardo

Amanhã morrerei e hoje quero aliviar minha alma. Levo comigo este testamento, de fé e de vida. O que adianto é verdade; isto, portanto, não pode morrer. Quem não tem mais que um momento para viver, nada mais tem que esconder. O livre-arbítrio é uma graça que traz com ela grandes responsabilidades na vida. O segredo é saber morrer.
Eu sabia que esse dia chegaria, mas não esperava viver para vê-lo se cumprir. Durante muito tempo a seca devastou esta nação. Quando a água desapareceu de suas fontes, o país ruiu junto, espalhando o desemprego, a fome, o medo e a revolta. A poderosa capital paulista tombou quando foi atingida pelo Grande Apagão, que deixou a cidade para sempre no escuro. Reinaram, então, as trevas, a ruína e o caos. Os poucos sobreviventes se reuniram em tribos que passaram a guerrear entre si pelo que restou da água: nosso Ouro Azul. A sede era a arma mais destrutível dessa terrível guerra, que ficou marcada como Guerra Azul.
Quando eu escolhi ser parte da tribo Invisíveis, esperava não participar dos conflitos gerados pela disputa da água. Nossa tribo vivia no submundo, muitas vezes nas antigas estações do Metrô, sobrevivendo do que saqueávamos lá fora. Mas a fome nos ameaçava, forçando-nos a invadir o território inimigo para roubar água e comida.
Desde que a crise da água devastou o país, deixamos de ser uma república e voltamos a ser terra de ninguém. Depois que a ONU descobriu que ainda havia vida neste canto esquecido do mundo, ela passou bimestralmente a enviar seus aviões — Programa Alimentar Mundial — despejando sobre São Paulo sacos de alimento e água potável. É claro que as doações salvam vidas, mas o que realmente é necessário é um esforço internacional para ressuscitar esta nação gigante e dar fim à guerra pela água, restaurando a paz, pois os aviões só despejam sobre a região central da cidade, conhecida como Ruínas, território da mais hostil de todas as tribos: os Filhos da Seca.
Quando Matias, nosso audacioso líder, apresentou seus planos, recusei participar dessa desventura. Porém, senti-me constrangido e por isso resolvi me juntar ao grupo que defenderia nosso povo da fome, encarando dessa forma aquela expedição fadada ao fracasso.
Passamos o dia inteiro próximo à antiga estação de metrô da Sé. Quando ouvi o avião se aproximar, meu corpo foi tomado por uma intensa ansiedade, meu coração acelerava conforme o ruído da aeronave aumentava. De repente aquele pássaro de ferro rasgou o céu e despejou suas migalhas, que foram se espalhando. Quando os sacos tocaram o chão, corremos todos de uma só vez. Havíamos planejado bem a ação. Para cada saco de suprimentos, três homens corriam para pegá-lo. Um carregava nas costas, outros dois protegiam. Mas não esperávamos o que sucedeu depois.
Os Filhos da Seca apareceram — como já era esperado — e iniciou-se o conflito já previsto. Socos, pauladas, pedradas de ambos os lados. Diante das paredes da Catedral da Sé o sangue cobria as ruas. Éramos quinze contra mais de trinta Filhos da Seca. Porém, nenhuma das duas tribos esperava a presença de uma terceira tribo nesse conflito.
Bem, não era uma tribo, pois era mais organizada. Vestia traje militar azul, capacete, escudo e estampava o brasão da Organização das Nações Unidas. Estávamos diante de uma emboscada planejada por aqueles que nos ofereciam alimentos. Então eu percebi que a mão que afaga é a mesma que apedreja.
Caminhavam em nossa direção marchando e batendo seus cassetetes nos escudos, uma sinfonia que só do inferno pode se erguer, como os passos do predador se aproximando da presa. Enfrentá-los era inútil, e até mesmo os Filhos da Seca partiram em retirada. Eu já estava com um daqueles pesados sacos nas mãos, quando vi se aproximando um dos soldados da Tropa Azul. Eu tinha que escolher entre largar o saco de suprimentos e fugir em segurança, ou tentar fugir com o saco, correndo o risco de ser pego. Escolhi o mais difícil, pois tinha a esperança de levar alimento para minha tribo. Aquele instante tornou-se a minha condenação.
Ainda corria desgovernado quando senti uma forte pancada na cabeça. Tudo escureceu e minha última lembrança foi Matias correndo em segurança. Meu companheiro estava salvo. Eu não...
Acordei num lugar estranho. Sozinho. O vento ríspido tocava meu rosto lembrando-me de que ainda estava vivo, mesmo sem motivo para viver. Minha velha roupa havia sido substituída por uma espécie de uniforme azul. Olhei para meu braço e fui tomado por um grande apavoramento. Uma cicatriz no pulso direito me deixou angustiadamente aterrorizado. Eu já tinha ouvido falar dos marcados; agora eu era um deles. Aquela marca no meu braço indicava que eu havia recebido um microchip. Eu já tinha lido alguma coisa sobre os microchips há muitos anos. Seria vigiado pelos homens da ONU, que me usariam como isca para chegarem até o resto da tribo e os capturar para depois marcá-los também, tendo assim um total domínio sobre nós. A Nova Ordem Mundial era real. A Guerra Azul era só o princípio para instaurar a ordem através do caos e obter o controle absoluto da população.
Eu estava condenado a vagar sozinho pelo mundo, correndo o risco constante de ser pego por um dos Filhos da Seca que certamente me matariam. Desolado, vaguei nas primeiras horas sem noção do que fazer, sentindo-me um pássaro capturado, engaiolado num canto da cidade e depois solto em outro. Nas soturnas ruas, só era possível ouvir o som dos meus sapatos lentamente se arrastando e se diluindo na escuridão.
Quando me dei conta, estava num beco sem saída. Estava ali, atravessando, sozinho, uma região isolada e triste. À minha frente, o prédio nu de construção simples com as janelas — anos atrás arrombadas — como olhos vazios convidando-me a entrar naquele sombrio lugar. Uma ideia arriscada me veio à cabeça. Talvez fosse a única saída.
Adentrei o recinto. Uma antiga oficina mecânica. A pouca luz só servia para indicar um caminho confuso em meio à enorme desordem em tudo. Tudo respirava um ar de tristeza, esta que me envolve, pairando sobre o local que há anos permanece sem vida. Quando meus olhos se acostumaram com a escuridão, comecei a revirar o local à procura de algo que pudesse me livrar da minha angústia. Sinto como se eu tivesse substituído minha alma por um pedaço de metal. Uma diabólica maldade, longe do meu livre-arbítrio. O coração acelerado me fez sentir o sangue pulsando intensamente, passando pelo meu punho condenado.
Revirei o local e confesso que poderia viver ali por um tempo. A sensação de ser vigiado, porém, não deixava minha cabeça e nesse lugar, no entanto, nada parecia apropriado para dar fim a minha angústia.
De repente escutei um barulho, como se alguém dividisse o lugar comigo. O ruído de algo que caiu no chão me fez enxergar um objeto metálico — enferrujado — mas suficiente. Precisava de mais algumas coisas para completar meu plano. Entre os objetos esquecidos neste fúnebre lugar encontrei um castiçal com um toco de vela. Esta é a única luz que tenho e por isso devo ser breve. Encontrei também esta caneta azul e um caderno de páginas amareladas. É nele que faço minhas últimas anotações. Já tenho tudo pronto ao meu lado, e só me falta a coragem.  Já reservei um pano, uma faixa, álcool e o serrote. Olho o meu pulso e ele ainda pulsa. Será a última vez. Deixarei aqui um pedaço de mim. Depois abandonarei este túmulo e, livre da condenação da minha alma, caminharei pela cidade, outra vez livre. Com sorte, chegarei com vida até minha tribo, ou tombarei pelo caminho. Se por acaso você encontrou esta carta ao lado do meu corpo, entenda por que eu mesmo fiz isso comigo: para voltar a ser invisível.



Sorteio do livro - OUTRORA - Contos distópicos

Neste mês do Natal estou promovendo o sorteio do livro OUTRORA - Contos distópicos da Editora Andross. O livro é uma antologia que reúne diversos contos sobre uma mesma temática: distopia. Eu participei do livro com o conto Invisível (pg 75), que você poderá conferir aqui no blog. Deixe seus comentários e aproveite para participar do sorteio que será realizado dia 02-01-2016. Não perca. Você têm um mês. Veja a sinopse do livro e confira abaixo as regras do sorteio.

Outrora

Contos distópicos

SINOPSE: O sonho de um mundo ideal não existe mais. Outrora, instaurou-se o caos, desencadeado pela ignorância e pelo mau comportamento humano. O totalitarismo oprime as massas, vigia seus atos e as pune sem misericórdia. Nesse universo distópico, habitam políticos amorais que, explorando a estupidez coletiva, guiam a sociedade à falência de uma história digna e ao abandono da esperança. 
Neste livro, contos de mundos sem cores, sem vida, sem lucidez, farão o leitor refletir sobre a sociedade em que vivemos. Depois de ler OUTRORA, você se dará conta de que sua vida simples e cotidiana é uma dádiva almejada por muitos, mas conquistada por poucos.

ORGANIZAÇÃO

Paola Giometti


LINK DO SORTEIO:
https://www.facebook.com/exodoasagadoouroazul/?sk=app_154246121296652&app_data=%7B%22id%22%3A509720%7D

Lançamento livro "OUTRORA" - Editora Andross

Neste sábado dia 28-11 às 15hs ocorreu o evento LIVROS EM PAUTA com o lançamento do livro "OUTRORA" na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação – FAPCOM, que fica à Rua Major Maragliano, 191, em São Paulo, próximo à estação Vila Mariana do Metrô, no qual participei com o conto INVISÍVEL. O evento, como sempre, foi um sucesso, e contou com a presença e muita gente, que além de ir ao lançamento das antologias, também participaram de palestras. 




O LIVROS EM PAUTA foi criado pelo escritor Edson Rossatto com o intuito de promover o encontro de escritores, editores, críticos literários e demais profissionais do livro com leitores e escritores amadores, para discussões sérias e também para bate-papos descontraídos por intermédio de atividades gratuitas, como mesas-redondas, palestras, sessões de autógrafos e lançamentos de livros.
Até a 4ª edição, as temáticas giravam em torno apenas de “livros e literaturas” e o evento ostentava o subtítulo “Encontro de leitores com escritores e outros profissionais do livro”. Contudo, o consumidor de livros, ao longo dos anos, passou a apreciar outros tipos de mídias correlatas, como quadrinhos, cinema, séries de tv, jogos de RPG e games. Basicamente essas pessoas consomem histórias, não importando em qual tipo de mídias elas se apresentam.
Assim, atualizando o evento para novos tempos, a partir da 5ª edição, o LIVROS EM PAUTA passou a contemplar atividades culturais relacionadas a outras mídias, adotando, então, o subtítulo “Congresso de Literatura, quadrinhos, RPG e outras mídias nerds”.







quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Resenhas - A arte da leitura crítica.

Fazer uma resenha é uma arte... Uma arte que envolve diversas habilidades, entre elas a de uma leitura crítica. 

Tive o privilégio de ver meu livro passar pelas mãos de diversos artistas blogueiros apaixonados por livros. Esses amantes da arte literária leram e avaliaram o livro Êxodo - A Saga do Ouro Azul e deixaram suas impressões registradas. Se você quer saber o que eles estão falando do livro mais original do ano, acesse os links abaixo. 




O autor aborda o tema de forma fascinante, mostrando não só a importância da natureza mais também a importância da fé. Ele nos dá um choque de realidade, afinal, o que será de nós sem água?
(Um Minuto um livro – sobre o conto “Terra Prometida”)


O bom da história não é só como ele trata a problemática da seca, mas como ele consegue aliar isso a religião cristã, fato que pretende agradar muitas pessoas pela alusão bem definida e coerente. Através dos relatos de Clóvis temos o retrato da importância da fé, e principalmente da água. (...)
 Um livro excepcional, um conto incrível que merece ser lido e quem sabe relido. Eu recomendo bastante (...) (pedrimoliveirablog – sobre o conto “Terra Prometida”)

Um jeito sagaz e inteligente de falar de modo exagerado, algo que estamos vivendo e construindo pouco a pouco para que talvez chegue esse dia.

 O apagão faz com que todos se desesperem para fugir, causando um grande caos na cidade. Os que ficaram para trás, agora tentam sobreviver da melhor maneira que pode: roubando, brigando, matando, economizando e escondendo seu ouro azul. (blog Construindo Estante)


O que achei bem interessante é que o autor deixou evidente que mesmo com toda essa situação, a ganância e o orgulho continuam a preencher os corações de muitosO livro consegue gerar uma boa discussão. Também nos faz refletir sobre o que é realmente importante para as pessoas. (Blog Submersos em Palavras – sobre o livro)


Somos transportados para diversas situações decadentes e desesperadoras. Aliamos-nos e torcemos pela sobrevivência de cada personagem com o qual cruzamos. Conseguimos sentir todas as emoções transbordando das páginas. E, mais do que isso, vemos a real face da natureza humana.



A leitura é super rapidinha e agrega muitos valores. Clóvis escreve muito bem de um modo que você realmente entra na história, passa de espectador para personagem principal. Super recomendado!



Como é de praxe em todos os conflitos do mundo, pós-apocalípticos ou não, há aqueles que se consideram superiores, que acham que devem controlar tudo e todos, mesmo em meio a desolação. 
(blog Submersos em Palavras)


Finalizei a narrativa com um suspiro. Minha mente vagueando pela possibilidade do que pode acontecer a nossa humanidade. Não pude deixar de pensar que o futuro contado não é distante. Questão de apenas 50 anos. Eu tenho chances de vivê-lo! Com um toque do livro de Apocalipse, Clóvis M. Fajardo nos apresenta um conto arrebatador.



Espero que você tenha gostado desses trechos das resenhas. Dê um click nos links e leia as resenhas integras.



sábado, 15 de agosto de 2015

Prática de Escrita: O Escritor Digital

Dia 12-08-15 na Biblioteca Porto do Saber (Praia Grande - SP) foi realizada a noite de autógrafos com o autor Clóvis M. Fajardo divulgando o livro Êxodo - A Saga do Ouro Azul. O evento contou com diversos momentos. Entre esses momentos, o autor palestrou sobre o processo de escrita, com o título Prática de Escrita: O Escritor Digital. abaixo, você pode conferir o material que ele mesmo desenvolveu sobre o tema e utilizou como base para sua palestra que ocorreu no dia.


INTRODUÇÃO – A EVOLUÇÃO DA ESCRITA E DO ESCRITOR

Desde as cavernas, o homem sente necessidade de contar historias. Com o tempo, o homem sentiu necessidade de registrar essas histórias. Surgiu assim à escrita. Das rusticas pinturas na caverna, aos modernos ebooks, registrar essas histórias nunca foi uma tarefa fácil. O escritor sempre precisou saber usar a criatividade com um senso crítico, e um olhar atento à sociedade de seu tempo.  Mas numa sociedade globalizada, como a nossa, não basta apenas saber escrever, é preciso estar integrado com a modernidade e ser um escritor digital.

Com o avanço da internet e sua popularização, houve muitos questionamentos quanto ao fim dos livros impressos e da própria leitura. Mesmo hoje, há muitos que acreditam que os jovens não gostam de ler, e que a leitura está sempre suprida pelas redes sociais, facebook, instagran e outras novas que não param de surgir.

Durante minha jornada como escritor, tenho tido contato com diversos blogueiros, pessoas que escrevem e mantém blogs. Os blogs que tem o livro (leitura) como tema, são, na maioria, mantidos por jovens que se dedicam a ler livros, fazer suas resenhas, comentários e compartilhar a leitura. O público alvo deles são, na maioria, também jovens. O que se percebe então, é que a leitura ganhou novos ares. Os jovens agora leem mais e querem compartilhar suas leituras com outros leitores. Dividir opiniões sobre os livros, personagens, enredos e dicas de novas leituras. O que a internet fez, foi apenas contribuir com a aproximação dos leitores, e não só entre eles, como também com os autores.



Os recursos digitais estão liberando os livros das restrições físicas e permitindo o acesso de todos à sua edição e  publicação.  Antes, para publicar um livro era um processo complicadíssimo, pois até hoje a publicação de em grande tiragem é cara, e o risco dos livros ficarem ganhando poeira nas prateleiras é alto. Uma editora quer antes de tudo lucrar. Ela não vai investir num autor, ou numa obra, cuja as chances de retorno são pequenas. Antigamente, uma gráfica não conseguia produzir poucas unidades de livro, o que gerava uma certa insegurança nas editoras. Hoje, existe tecnologia suficiente para produzir sobre demanda, isto é, as editoras publicam em poucas unidades e conforme surgem novos pedidos, ou necessidade, ela repõe só aquela quantidade. Qual é a vantagem? Dá para apostar num número maior de autores. Mas ainda assim, a ideia de um autor deve passar pelo senso crítico de um editor que vai avaliar o potencial da obra. Com a internet isso não existe.

PUBLICAR UM LIVRO - IMPRESSO OU DIGITAL?

Ebook, é o termo que se dá aos livros digitais, feitos ou adaptados par a leitura em equipamentos eletrônicos (computadores, smartphones, tablets, ou aparelhos próprios par a leitura desses). Os ebooks vieram, primeiro para acabar com as restrições físicas dos livros impressos Quando surgiu os ebooks algumas pessoas foram contra, pois o não gostavam da ideia de não terem as páginas impressas e carregar os livros nas mãos. Outras, porém, adotaram a ideia, pois podiam levar não mais um livro, e sim diversos livros num mesmo lugar, um pequeno cartão de memória. Os anos foram avançando, e os ebooks abriram espaço para os escritores amadores. A produção de um ebook é bem mais barata que um livro impresso ao mesmo tempo em que há menos riscos, pois o custo de produção é um só, independente das vendas.
Além disso, as editoras começaram a receber novos autores dispostos a pagarem para verem seus sonhos realizados e com chances de ganhos bem maiores. Resultado? Os ebooks viraram uma máquina de novos autores. Hoje, é possível, publicar um ebook sem custo e lucrar com eles ainda. Mas há pessoas que não trocam o sonho de ver seu livro na prateleira de uma livraria. 

PLATAFORMAS DIGITAIS

Independente  da forma que o livro será publicado, uma coisa é certa, o escritor hoje precisa estar conectado com a internet. O mercado editorial exige isso cada vez mais. Da mesma forma que os leitores gostam de se comunicar com outros leitores, eles gostam de trocar ideias com o próprio autor. Antigamente eram as cartas que o autor recebia com elogios das suas obras, ou com a decepção de um leitor ao ver seu personagem favorito morto. Quem de nós, nunca sentiu vontade de reclamar com um autor por matar um personagem com quem a  gente se identificava? Hoje isso é muito mais fácil.

A internet também trouxe a possibilidade de se escrever um livro com a contribuição do leitor. Entre as diversas ferramentas, eu gosto muito do Wattpad. Uma ferramenta de edição que permite ao leitor comentar capítulo por capítulo de um livro. O autor publica, e pronto, você já pode escrever seu comentário, dar sua sugestão de melhoras, ou como o autor deveria escrever o próximo capítulo.

WATTPAD 


Mesmo que você não goste de escrever, ou acredite não ter talento para isso, o WATTPAD serve como uma plataforma de compartilhar leitura gratuita. Você tem acesse há milhares de livros completos ou não, e pode ler onde e quando quiser. Você pode criar diversas bibliotecas, coleções com seus livros favoritos disponível no wattpad. Assim, como boa parte das plataformas digitais, ele também está disponível para android o que contribuiu para sua popularização. Além disso, o Wattpad permite o compartilhamento da sua leitura. Você pode enviar via facebok, instagran email e outras formas para seus amigos.


- Ebooks – empresas especializadas


Mas se caso, você queira mesmo publicar um ebook de forma profissional, você pode optar uma empresa especializada. Isto é, você paga pelo serviço de um profissional que vai transformar o seu texto num material público pronto para ser comercializado.  O exemplo é a Revolução EBOOK que cria uma capa profissional do seu livro, registra o código ISBN e ainda te ajuda  a gerenciar as vendas. A maior vantagem de uma empresa como essa, é a divulgação nas maiores redes de livrarias digitais do mundo, ao mesmo tempo que o seus ganhos vão além dos 10% dos livros impressos e podem chegar até 90% o valor do livro. 


- Ebooks – empresas especializadas 

Mas se caso, você queira mesmo publicar um ebook de forma profissional, você pode optar uma empresa especializada. Isto é, você paga pelo serviço de um profissional que vai transformar o seu texto num material público pronto para ser comercializado.  O exemplo é a Revolução EBOOK que cria uma capa profissional do seu livro, registra o código ISBN e ainda te ajuda  a gerenciar as vendas. A maior vantagem de uma empresa como essa, é a divulgação nas maiores redes de livrarias digitais do mundo, ao mesmo tempo que o seus ganhos vão além dos 10% dos livros impressos e podem chegar até 90% o valor do livro. 

DIVULGANDO SEU LIVRO 


Depois de publicado o seu livro, começa a parte mais difícil: divulgar. Uma coisa é certa, não importa se é impresso ou ebook, a “propaganda ainda é  alma do sucesso”. Para isso o autor não deve esperar que somente as editoras divulguem seus livros, ele próprio deve se lançar e ir ao encontro do leitor. “Quem não é visto não é lembrado!” O facebook certamente é um dos melhores meios de comunicação. Ele te leva diretamente às pessoas. Compartilhar no facebook seu livro é só um dos passos nessa longa jornada.
Outro recurso também são os blogs. Nos blogs literários, os blogueiros leem os livros e depois compartilham sua opinião, os outros possíveis leitores comentam encima da resenha do blogueiro e muitas vezes acabam se interessando pelo livro, o que os leva à compra.  É interessante que isso é tão procurado, que alguns blogueiros ganham mais de 10 mil reais por mês somente com a internet, dando suas opiniões. Quanto mais acesso para eles, mais eles ganham. Para o escritor a vantagem é a divulgação. Muitas vezes, a única coisa que o escritor precisa fazer é enviar um exemplar do seu livro autografado.

Outro local muito popular de divulgação de livros é o SKOOB. Esse site especialista em divulgação, permite que qualquer pessoa marque os livros que já leu, se gostou ou não, atribuir nota ao livro, resenhar e ler resenhas do livro.  O SKOOB é interessante pois é democrático, todo mundo tem direito a escrever sobre um livro. 

CANAIS DE VIDEO no YOUTUBE – 


Por fim, hoje o que está se popularizando, e certamente ganhando seu espaço, são os canais de vídeo no youtube. Nele, os leitores fazem um vídeo comentado sobre um livro, e os seguidores deixam seus comentários, compartilham o vídeo com os amigos. A vantagem do YOUTUBE é que ele é vivo. Ao passo que os blogs e o Skoob você tem somente o texto, no Youtube a sensação de aproximação é maior.
O YOUTUBE ainda contribui com a divulgação dos trailer-book, que são como trailers de filmes, mas que divulgam o livro. Cada vez mais populares, os trailer-books são uma ótima ferramenta para captar novos leitores.


Como se vê, o verdadeiro trabalho do escritor começa  quando o livro nasce, não importando se é ebook ou não. Se alguém pretende tornar-se escritor, deve largar a caneta e a máquina de datilografar e abraçar o computador, conectar-se e se tornar um ESCRITOR DIGITAL.


Clóvis M. Fajardo tem 28 anos, é formado em Letras, atua como professor de Língua Portuguesa na rede pública. Foi premiado na categoria poemas no 1° Concurso Literário de Praia Grande (2015). Publicou nos livros Prática de Escrita – a poesia: um estímulo à percepção e à criatividade (2006); Caleidoscópio – Antologia de poemas (2006), Névoa – contos sobrenaturais de suspense e de terror (2013), e Sede: Contos distópicos sobre um futuro sem água (2015), todos da Editora Andross. 

contato com autor: clovis.arcom@gmail.com



Lançamento Êxodo - A Saga do Ouro Azul



Dia 25-07-15 foi comemorado o Dia do Escritor

Esse ano, porém, ele foi muito especial para Clóvis M. Fajardo, que escolheu essa data para o lançamento do seu 1º livro Êxodo - A Saga do Ouro Azul (Editora Autografia. 90 páginas - R$30,00)


O evento foi realizado em Praia Grande, cidade onde vive o autor e também palco de um dos seus 8 contos que compõe  a obra.  Esse é o primeiro livro do autor que chega mostrando talento e ousadia ao abordar um tema tão atual e preocupante que é a falta da água. Em uma série de oito contos que se cruzam, o autor retrata  retrata o futuro do Brasil em 2065 vivendo numa situação extrema sem água. O livro trata esse tema, bem como o consumo capitalista e o controle da água pelas superpotências e também o desespero humano. No Brasil um apagão geral deu início ao êxodo urbano desencadeando uma guerra pela água. Os dois últimos contos do livro, "Guerra Azul" e "Tudo Termina Aqui" retratam exatamente o que seria uma guerra pela água num cenário bem conhecido: Praia Grande. Mas o livro vai além das questões ambientais e capitalistas, aborda também com uma linguagem própria que beira a poesia, os sentimentos humanos, desde o nascimento de um bebê à solidão de um deserto. O livro está recheado de citações bíblicas e demonstra em cada conto que no futuro só sobrevive quem tem fé.


 O evento de lançamento e noite de autógrafos contou com o apoio dos jornais da região (Litoral Paulista) TV Santa Cecília e Jornal Estrela do Litoral. O autor recebeu seus convidados, que mesmo com frio e chuva comparecerem para prestigiar esse momento.



 Clóvis ainda os presenteou com um copo de água personalizado com a capa do livro. Na decoração do local, foi montada uma mesa com alguns elementos presentes no livro, como uma mochila velha rasgada, uma Bíblia antiga, uma vela e um frasco de vitaminas, todos objetos presentes no livro. 


Certamente, foi um dia memorável para todos que estiveram presentes, principalmente para o autor.



ALGUNS TRECHOS DO LIVRO 
nos CARTAZES NA PAREDE


"Estamos apenas no começo da crise.
O pior ainda não aconteceu".

"Sob a luz trépida da fogueira,
eu lia algumas páginas da quase esquecida, empoeirada e rasgada Bíblia".

"Carregando nas costas, numa mochila desgastada e remendada, os últimos dois litros de água que encontrara".

"Ela agachou pegando um objeto que brilhava no escuro".

"uma vela valente, lutando solitariamente, tentava  manter acesa a esperança".


 









O AUTOR - Clóvis M. Fajardo tem 28 anos, é formado em Letras, atua como professor de Língua Portuguesa na rede pública. Foi premiado na categoria poemas no 1° Concurso Literário de Praia Grande (2015). Publicou nos livros Prática de Escrita – a poesia: um estímulo à percepção e à criatividade (2006); Caleidoscópio – Antologia de poemas (2006), Névoa – contos sobrenaturais de suspense e de terror (2013), e Sede: Contos distópicos sobre um futuro sem água (2015), todos da Editora Andross. 



terça-feira, 21 de julho de 2015

Surge mais uma nova distopia que promete ser um sucesso. A guera pela água começou...

Surge mais uma nova distopia que promete ser um sucesso. A guera pela água começou...


Muito se tem falado a respeito dos livros distópicos, e parece que esse gênero vai crescer e ser explorado à exaustão assim como o gênero policial. Uma obra distópica é, obviamente, uma obra contrária à utopia. Enquanto na utopia tem-se a ideia de um mundo perfeito, na distopia temos o extremo da desgraça. 
As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, "caem as cortinas", e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações. Distopias são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo. (Veja aqui a diferença entre distopia e apocalipse)


Êxodo - A Saga do Ouro Azul (Editora Autografia. 90 páginas. R$ 30,00)  chega ao mercado (25-07-15) e promete inovar. A trama se passa em 2065, desenrola-se na gigante metrópole São Paulo, uma cidade hostil, que após o anuncio do Governo sobre um “apagão definitivo”, ficou deserta. A água, nosso bem mais precioso, nosso "ouro azul", está em falta! O mundo se vê desolado pela sede, pela desidratação. Sem água e sem energia elétrica, a população desesperada fugiu formando um êxodo urbano, travando todas as saídas da cidade, deixando muita gente para trás. Depois de anos, os sobreviventes deste vasto deserto povoado pela incerteza, precisam se juntar, encarar seus medos e iniciar um novo êxodo rumo a Terra Prometida. Episódios terríveis são acarretados, com grandes perdas. Pessoas vagam pelas cidades roubando o que restou nas casas e carros abandonados. Nessa jornada eles descobrem que o maior inimigo é própria seca. Como é de praxe em todos os conflitos do mundo, pós-apocalípticos ou não, há aqueles que se consideram superiores, que acham que devem controlar tudo e todos, mesmo em meio à desolação. É o que acontece com os “Filhos da Seca” uma tribo formada por militantes e liderada por um misterioso homem intitulado de “Grande Irmão” que transforma as ruínas de São Paulo, num cenário de guerra pela água disputando até o último gole de água. O tema é bem explorado mostrando as consequências de um consumo capitalista e o controle da água pelas superpotências, além é claro, do desespero humano diante da seca. Mas o livro vai além das questões ambientais e capitalistas, aborda também com uma linguagem própria que beira a poesia, os sentimentos humanos, desde o nascimento de um bebê à solidão de um deserto. O livro está recheado de citações bíblicas que demonstram é preciso ter fé para sobreviver.

Veja mais nas resenhas de quem já leu: 

conto Terra Prometida (Pedro Oliveira Blog)

conto Terra Prometida (Um minuto um livro - blog)

conto Tudo termina aqui! (blog Submerso em palavras)


CONTRACAPA








domingo, 28 de junho de 2015

Resenha: "Impedida de Ser feliz" (contos distópicos sobre um futuro sem água)

Impedida de ser feliz

Publicada em 30-05-15, a antologia SEDE: contos distópicos sobre um futuro sem água (Editora Andross), reuniu diversos autores das mais variadas idades e localidades. Entre eles está o jovem Pedro Oliveira, autor do conto Impedida de ser feliz.

Matar a sede nunca custou tanto. 


O conto é o relato melancólico de uma jovem estudante que sonha com um mundo melhor, mesmo vivendo num futuro seco, num Brasil miserável que sobrevive sem água. Ela vai à escola todos os dias, não que goste ou acredite na educação, mas porque recebe 2 litros de água por estudar; uma espécie de "Bolsa Família".

(...) não existe nada além do simples desejo de saciar a sede. 


O texto segue indo e voltando do presente ao passado. Dessa forma, o autor faz uma crítica ao desperdício que ocorre nos dias de hoje e mostra suas consequências as gerações futuras.

(...) São Paulo nunca pareceu tão morta, não sem vida, tão sem água.


Na distopia de Pedro Oliveira, (...) "a moeda é a água. Ela dita a política e o cotidiano". O Governo, como sempre, centraliza todo o poder e todo o recurso em suas mãos, aproveitando-se da miséria da população para escravizá-la, roubando do povo a única coisa que o mantém vivo: a esperança.

"Toda miséria gera só desesperança. No fim, todos os nossos sonhos estão secando e morrendo..."


O título "Impedida de ser feliz" se resume em um único trecho do livro: 

"Poderíamos ser uma árvore que cresce esperançosa sem preocupar com espaço, mas nossos galhos e nossa esperança estão cortados".


O desfecho do conto no surpreende e o autor encerra com uma frase bastante marcante:

"(...) morrer nunca me pareceu tão doce."


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Espero que tenham gostado da resenha. Deixe seus comentários sobre a resenha. E se você já leu o livro e o conto "Impedida de ser feliz", deixe também sua opinião. 

Leia também a resenha do conto "Terra Prometida"  no blog "Um Minuto Um  Livro".

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papa diz temer guerra pela água ainda neste século.

Na quinta-feira dia 18 de junho, o Papa Francisco publicou sua encíclica sobre o meio ambiente. É notável que esse documento despertou a atenção do mundo abordando um tema que vai além de questões religiosas, mas que se choca com os interesses capitalistas. Além disso, o pontífice usou uma expressão que deixou o mundo em alerta, ao dizer que teme uma guerra pela água ainda neste século.
Ainda no referido documento, o Papa Francisco culpa a "humanidade" pelo aquecimento do planeta e ainda afirma temer que o controle pela água por parte das grandes empresas mundiais possa ser o pivô de uma nova guerra ainda neste século.

 "É previsível que, frente ao esgotamento de alguns recursos, seja criado gradualmente um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas de reivindicações nobres. E que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se converta em uma das principais fontes de conflitos deste século", escreveu o pontífice, que viveu na Argentina, sua terra natal, que já viveu tensões sociais pela privatização da água.




“A humanidade está convocada a tomar consciência da necessidade de realizar mudanças de estilo de vida, de produção e de consumo”, escreveu o Papa, que acusa a “política e as empresas de não estarem à altura dos desafios mundiais”, depois de terem feito um “uso irresponsável dos bens que Deus colocou na Terra”.





No Brasil o livro Êxodo - A Saga do OuroAzul, já antecipava esse tema. O livro que tem previsão de lançamento em agosto deste ano (2015) e é notícia do portal Band.com se encaixa perfeitamente na declaração do Papa Francisco. O livro que é uma série de 8 contos retrata o futuro do Brasil numa situação extrema, sem água. O livro trata esse tema, bem como o consumo capitalista e o controle da água pelas superpotências. Os dois últimos contos do livro, "Guerra Azul" e "Tudo Termina Aqui" retratam exatamente o que seria uma guerra pela água. O livro será lançado em agosto pela Editora Autografia, mas já está disponível para pré-venda no site da editora.

Assim, como o Papa diz, o livro também demonstra preocupação não só com o futuro da humanidade, mas também com questões de fé. Na encíclica o Papa ainda diz: “Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós”.




Após uma reflexão consistente, Francisco concluiu a encíclica com duas orações, sendo uma delas pela terra, oração comum que todos que acreditam em Deus Criador podem fazer; e uma oração cristã, para que os fiéis saibam assumir os compromissos para com a criação.
Como se vê, a crise hídrica não é só uma questão da natureza, restrita ao Brasil, mas um problema muito maior que desperta o interesse dos grandes líderes mundiais, sejam eles políticos ou religiosos, pois no final, somos todos dependentes da água, e ela é a fonte da vida.


LINKS DE REFERÊNCIAS:
 Canção Nova

Radar 58

Portal G1

Band.com



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